COP28

Dia 30 de novembro de 2023, começa o maior evento da agenda climática global: a Conferência das Partes no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em sua 28ª edição (a COP28).

 

As COPs sobre mudanças climáticas acontecem anualmente. A edição deste ano está sendo sediada nos Emirados Árabes, na Cidade de Dubai. O tema, como o próprio nome indica, são as mudanças climáticas, que tem afetado o mundo como um todo. A agenda oficial, por sua vez, é bastante específica: neste evento são reunidos representantes de governo (cerca de 200 países), diplomatas e lideranças políticas com o objetivo de discutir e organizar iniciativas que possam lidar de maneira concreta com os impactos das mudanças climáticas, visando a reduzi-los na maior medida possível.

 

Ainda que as deliberações em eventos desta envergadura sejam lentas (pela quantidade de autoridades envolvidas, pelas diferenças culturais, pelas especificidades dos locais afetados pelas decisões e pela necessidade de ser atingido o consenso), é inegável que elas movimentam não apenas pautas políticas, mas, igualmente, a pauta econômica. Um exemplo concreto é o mercado de créditos de carbono, que surgiu no contexto do Protocolo de Quioto (1997) e reaqueceu com a COP21 sobre mudanças climáticas, realizada em Paris (2015). Outro exemplo são as decisões relacionadas ao financiamento climático entre países desenvolvidos em benefício de países em desenvolvimento.

 

Na pauta política, a COP28 deve partir de um balanço sobre os resultados alcançados por cada país no último ano (ações positivas, bem como inventários de redução de emissões de gases do efeito estufa), avaliação e proposições de melhorias estratégicas para que seja possível manter a direção rumo a limitar o aquecimento global em até 1,5ºC*. Será a primeira “Avaliação Global” do progresso alcançado pelos países desde a adoção do Acordo de Paris, em 2015.

 

Na pauta econômica, a COP28 deve direcionar ainda mais os investimentos que devem ser realizados para que seja possível concretizar a meta de limitar o aquecimento global em até 1,5ºC e/ou lidar da forma mais eficiente possível com os desdobramentos do aquecimento global, minimizando o máximo possível os impactos ambientais e sociais

 

Quando olhamos para o Brasil, a agenda econômica direciona os investimentos para a preservação de florestas, reflorestamento e agropecuária de baixo carbono. Quando olhamos para o mundo, temas como a transição energética (de fontes de energia fóssil para fontes de energia renovável) assumem extrema relevância. 

 

Este ponto, em especial, atiça a curiosidade sobre os desdobramentos desta edição da Conferência das Partes, dada a relação íntima entre os Emirados Árabes e a exploração de petróleo. A promessa dos Emirados Árabes é “fazer do limão uma limonada”: liderar as discussões no sentido de provocar os países produtores de petróleo a avançarem mais rapidamente nas ações necessárias para redução de emissões de gases do efeito estufa.

 

Quando olhamos para o Brasil e para o mundo, a agenda política direciona as atenções para questões humanitárias e socioeconômicas, como justiça climática, diversidade (econômica, de gênero, cultural) e fim do racismo ambiental.

 

É extremamente importante compreendermos que a agenda da COP28 não é só sobre meio ambiente. É sobre a interação entre pessoas e o meio ambiente. Tanto em sua perspectiva negativa (impactos negativos da nossa forma de ocupação do território, principalmente sob a lógica do consumo exacerbado, que precisa ser identificada e estrategicamente manejada), quanto sob a perspectiva positiva (impactos positivos das formas de manifestação cultural e social integradas com a preservação do meio ambiente, bem como ações positivas destinadas à regeneração ambiental e social). Não existe meio ambiente saudável sem pessoas saudáveis, em todas as suas dimensões (física, mental e espiritual)

 

Também é extremamente importante compreendermos que a agenda da COP sobre mudanças climáticas torna-se, ano a ano, mais urgente: este ano de 2023 foi marcado por diversos recordes de calor intenso, chuvas muito acima da média, secas desproporcionais e as tragédias ambientais e humanitárias associadas a esses eventos. A urgência dos acontecimentos provoca a aceleração das medidas públicas e privadas destinadas a minimizar os seus impactos, razão pela qual alguns jargões como “race to resilience” (corrida para a resiliência) e “net zero” (emissões zero) são largamente adotados.

 

Tudo isso é abordado na agenda oficial da COP (que envolve as autoridades, representantes de Estado e lideranças políticas), mas, também, nos eventos paralelos, que são organizados por empresas, universidades, instituições da sociedade civil, dentre outros. A grande diferença é que a agenda oficial gera como resultado uma proposição: deverá decorrer das negociações um texto final contemplando acordos que impulsionem ações no combate efetivo às mudanças climáticas.

 

Coincidência ou não, recentemente, em uma agenda dissociada da COP28, líderes da China e dos Estados Unidos, considerados os maiores emissores de gases do efeito estufa do mundo, chegaram em um acordo para intensificar suas ações climáticas, focando principalmente na substituição da matriz energética para fontes limpas. Pode ser um bom prenúncio do que pode decorrer da COP28, você não acha? Aqui na InCarbon estamos com as melhores expectativas!

 

Acompanhe a InCarbon nas redes sociais para mais notícias sobre a COP28, diretamente de Dubai.

 

Sempre que pensar em agenda internacional de mitigação das mudanças climáticas lembre InCarbon: penSOU, preserVOU, compenSOU.

 

* A grande meta das COPs sobre mudanças climáticas pode ser traduzida em concentrar esforços para evitar que a temperatura média global supere um grau e meio de aumento, tendo como referência o período pré-industrial. Segundo estudos científicos, se a temperatura média global superar o aumento de 1,5ºC os impactos devem, cada vez mais, assumir proporções de desastres climáticos, ocasionando crises ambientais, humanitárias e econômicas.

Imagem: https://emergingag.com/the-road-to-the-cop-28/

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